• Carlos Guglielmeli

Um almoço em família, 5 adultos e 1 criança, "todos sadios". Resultado, uma morte e 5 doentes


Foto do arquivo pessoal de Zileide Nascimento

Estiveram no inocente almoço a dona da casa, seu filho, três irmãs dela, um cunhado e uma sobrinha.


Zemilda Silva Nascimento Gonçalves de 54 anos dedicava quase todo seu tempo ao filho de 14 anos, portador de síndrome de down. Ela era conhecida na escola de Pedro por sua presença constante e alegria. O que mudaria com a vontade de comer uma lasanha em família no dia 26 de abril.


"Todos estavam bem de saúde", cumpriam o isolamento social no máximo "do possível", cada família em sua casa, por isso Zemilda (anfitriã) e os outros tiveram a sensação de segurança em dividir a lasanha num almoço.


"Ninguém tinha sintomas, eles não pensavam que isso poderia acontecer. Antes disso o Pedro tinha ficado doente, com dor de ouvido, mas ele estava curado já", disse Zileide, irmã mais velha que não esteve no almoço, pois estava trabalhando.


Resultado, dois dias depois do almoço, Zemilda começou com sintomas de forte gripe, chegou a ir à uma UPA onde recebeu a prescrição de remédios que deveria tomar em casa.


Segundo a família, nos três dias seguintes a situação se repetiu e só no dia 5 de maio ela foi internada com dificuldades respiratórias.


Zemilda foi entubada para falecer seis dias depois, nesta segunda-feira (11).


Após a internação dela, os familiares também começaram a apresentar sintomas de gripe, perda de olfato e paladar. Todos testaram positivo para o Covid-19 e uma das irmãs chegou a ser internada.


Desde que a mãe foi para o hospital, Pedro está na casa de uma prima onde chora pela falta da mãe. Eles tentam amenizar dizendo que ela foi "morar com papai do céu":


"Ele diz que quer ir morar no céu com o pai e a mãe. A gente fica sem saber o que fazer. Ela era tudo para ele. Levava ele para Apae, na fisioterapia, na ecoterapia, na fonoaudiologia. Eu tive que ir com ele no hospital onde ela foi internada, ele disse que não queria entrar, porque a mãe tinha morrido lá. É difícil", disse Zineide, tia do garoto.


Não é possível determinar quem levou o novo coronavírus para a aquele "inocente encontro", mas a história ilustra o que "não é isolamento social" e o que a falta dele pode causar. É difícil, mas o verdadeiro distanciamento, o que salva mesmo, é aquele que evita absolutamente todos os contatos não obrigatórios, inclusive os muito desejados.


As pessoas precisam ter responsabilidades com sigo mesmas e com os outros, mas caso não acredite na gravidade da doença, que ao menos considerem dar o direito da dúvida e preservam filhos, pais, esposas, maridos, amigos, todos.


Essa publicação não é um conto, aconteceu em Mogi das Cruzes, é real e ilustra a importância de levar a sério a necessidade de fazer um verdadeiro isolamento social.


Fonte: G1



Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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