• Carlos Guglielmeli

Será que Bolsonaro vai suportar a entrevista de Mandetta à Globo?



A entrevista do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta ao Fantástico, da Rede Globo, neste de domingo (12), deve, como tudo o que acontece no planeta, ter sido encarada pelo núcleo mais próximo a Bolsonaro como uma provocação ao presidente.

Os dois, Mandetta e Bolsonaro, travam uma guerra pública sobre medidas de enfrentamento ao novo coronavírus, o primeiro encara a pandemia de maneira científica e como o mundo inteiro, o segundo vê a doença de maneira minimalista, como um “risco de morte para apenas idosos e pessoas portadoras de determinadas doenças preexistentes”, parecido como o que fizeram no início os líderes da Itália, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido.

Mandetta falou na TV considerada “inimiga” por Bolsonaro, com uma audiência difícil de ser alcançada pelas emissoras que hoje venderam seus editoriais para o Planalto.


Também não passou desapercebido o fato de que a entrevista foi concedida do Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, liderado por Ronaldo Caiado (DEM) que rompeu com o presidente justamente por divergências no enfrentamento da doença.

Em uma das suas respostas, a mais marcante, o ministro da saúde falou sobre a necessidade de unificação do discurso do Planalto com o do Ministério, mantendo a sensatez, mas invertendo a hierarquia. Algo já escancaradamente encarado como um enfrentamento por bolsonaristas nas redes sociais.

No sábado (11), Mandetta e Caiado já haviam condenado a atitude de Bolsonaro, que após visitar ao lado deles a construção de um hospital de campanha em Águas Lindas de Goiás, foi a encontro de cerca de 20 apoiadores que gritavam contra o governador e se aglomeravam sem nenhuma proteção.

O presidente delinquiu mais uma vez, tirou a máscara que usava teatralmente durante o compromisso oficial e cumprimentou pessoas, para depois voltar à Brasília.

Com tudo isso, a resposta à pergunta do título é que a demissão de Mandetta já é tida como certa, porém ao menos até a saída do planalto nesta manhã de segunda-feira (13), Bolsonaro afinou para a razoabilidade e se escondeu na desculpa de que não assiste Globo. "O que os olhos não vêem, o coração não sente".

Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Social Icon
  • Google+ Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Blogger Social Icon
  • Instagram Social Icon