• Carlos Guglielmeli

Roberto Jefferson, que já serviu à Collor e Lula, agora é xodó do bolsonarismo



Entre 1991 e 1992, o então deputado federal, Roberto Jefferson (PTB), ficou conhecido em todo o Brasil por liderar a "tropa de choque" que defendia e tentava livrar o ex-presidente Fernando Collor de Melo das investigações e do processo de cassação, que acabou acontecendo. Em 1993 ele chegou a ser investigado pela CPI do Orçamento, sendo inocentado pelos colegas no ano seguinte.


Duas eleições depois, em 2002, Jefferson entrou no pleito apoiando Ciro Gomes, à época no PPS e no segundo turno passou para o lado de Lula (PT). Em 2004, como presidente nacional do PTB, o controverso político determinou uma aliança do seu partido em todas as capitais para eleger prefeitos do PT, a contrapartida seria uma ajuda financeira ao seu partido, que depois ele admitiu ter recebido clandestinamente R$ 4 milhões.


O auge do petebista foi no ano seguinte, quando a veja denunciou seu envolvimento em um esquema de corrupção nos Correios, o que levou-o à delatar um esquema de fraudes que financiava a compra de deputados do Centrão (PL, PP, PMDB) pelo PT, para ter redução da sua pena no processo que investigou a prática batizada de Mensalão.


Ironicamente, no mesmo ano de 2005, o corrupto confesso se aposentou como deputado.


Hoje Roberto Jefferson ressurge com o bolsonarismo, onde a sua teoria de que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos filiados ao DEM, estariam tramando um "grande complô para derrubar o presidente Bolsonaro do poder".


Jefferson foi compartilhado e recompartilhado por todos os seguidores do presidente, inclusive pelos próprios Bolsonaros, como se ele estivesse em mãos um acervo de provas daquilo que é, na realidade, apenhas uma teoria da conspiração desenhada por sua própria criatividade.


O Pingos nos Is, da Jovem Pam, a Rede Record e toda a mídia paga por Bolsonaro, ou as que sobrevivem apenas pela audiência de fanáticos, entrevistaram o multi processado com um Status de quem apareceria nos programas com algo de outro planeta para provar suas suposições. Mas ele não passou das teorias.


Acoados, sem os conteúdos que não devem estar mais sendo produzidos com tanta abundância, consequência das várias investigações que estão chegando muito perto dos gabinetes da família presidencial em busca de uma espécie de milícia digital, sobrou para o bolsonarismo apenas esquecer tudo o que Roberto Jefferson já fez e com quem já se aliou, para promovê-lo à parceiro e algos dos considerados inimigos.


Trágico, mas real.



Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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