• Carlos Guglielmeli

O avanço do Covid-19 pode e deve prejudicar mais a economia do que o isolamento social


Os estados, municípios e o próprio país podem sofrer consequências econômicas ainda mais drásticas com o alastramento da pandemia do novo coronavírus, do que com o isolamento social, única medida comprovadamente capaz quebrar do ritmo do contágio.


Essa é uma realidade que Bolsonaro não previa, com a qual bolsonaristas não querem nem sonhar e que governadores e prefeitos estão negligenciando a espera de que algo caia dos céus.


O cancelamento da compra de carne de mais dois frigoríficos brasileiros por parte dos Chineses é uma prova disso. Sem controle da pandemia os produtos passam a oferecer riscos.


Isso é mercado internacional que, guardadas as devidas proporções, pode apontar um caminho para as reflexões sobre as realidades municipais:


De maneira simplista, e quando uma empresa ou conjunto de lojas da cidade tiverem 5 ou 10 casos confirmados de contaminação pelo Covid-19?


Elas vão omitir da população e acabar com suas reputações ou vão fechar para voltar depois de uma quarentena?


Mas e se depois desse sacrifício, quando elas voltarem a abrir suas portas o ciclo se repetir com um um vizinho, não vão ter que fechar novamente?


Esses são exemplos muito simples que podem ser usados por um açougue situado em uma galeria, uma loja de roupas de rua, um mercadinho e qualquer outro empreendimento.


A verdade que muitos querem negar, por necessidade financeira, política ou eleitoral é que sem a contaminação sob controle, negar o isolamento social só vai agravar mais os problemas econômicos que ainda estão por vir.


Nenhuma fórmula mirabolante, nitidamente elaborada no achismo, sem respaldo técnico cientifico vai ter êxito.


No Goiás, a única medida baseada em levantamentos científicos que se tem notícia foi a apresentada pelo governador Ronaldo Caiado, elaborada por um grupo de pesquisadores da UFG, que diz o seguinte:


1) Se tudo continuasse como estava, até o final de setembro o estado teria mais de 18 mil mortos pelo coronavírus;

2) Com o Lockdown intermitente de quatorze dias, decretado pelo governo do estado, Goiás chegaria a 4, quase 5 mil mortos no mesmo prazo;

3) Se o Lockdown fosse direto até setembro, 2 mil goianos morreriam.


E mesmo com cenários tão tenebrosos, desenhados por quem entende pelo riscado, parece que o cientista ou grupo de estudos preferido pelos prefeitos se chama "uni duni tê".


Bom... Mas se foi isso mesmo, vale lembrar que o STF (Supremo Tribunal Federal) delegou poderes para cada chefe de executivo, porém sem isentá-los da necessidade de um respaldo técnico comprovado e sem isso eles podem e vão responder administrativamente e criminalmente.


Quando tudo terminar vai começar uma caça às bruxas para responsabilizar os culpados pelas mortes.

Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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