• Carlos Guglielmeli

Número de recuperados não indica sucesso na luta contra a Covid-19



Em meio à crescente onda de críticas aos governos que não conseguiram conter a pandemia do novo coronavírus ou até mesmo negligenciaram-na para benefício exclusivo da saúde financeira das gestões, cresce na imprensa o número de veículos de comunicação, pagos para isso, aderindo a prática da ABC (Empresa Brasileira de Comunicação), do Ministério da Saúde e do próprio GDF (Governo do Distrito Federal), que dão destaque ao número de pessoas recuperadas da doença em detrimento das mortes e infectados.

A tática é dar a impressão de sucesso no controle da pandemia para proteger gestores dos números que comprovam a incapacidade e ou a absoluta falta de empenho na preservação da saúde e da vida de seus concidadãos.

Especialistas descrevem essa estratégia como "negacionismo", que segundo eles, transmite uma falsa ideia de que as coisas estão melhorando e pode agravar a situação, até emendando a suposta segunda onda com a primeira.

Comprovadamente o coronavírus tem uma mortalidade abaixo de 5% das pessoas que foram contaminadas e tiveram sintomas, portanto é esperado e normal que "mais de 95% delas se recuperem".

Para que se tenha uma ideia, dos 3,9 milhões de infectados no Brasil, 79% são listados como recuperados, porém 121 mil pessoas morreram. Em Goiás esses números são de 132,7 contaminados, dos quais 93% se recuperaram e 3.094 goianos foram a óbitos. Já na cidade de Valparaíso, no dia 29, quando a Secretaria Municipal de saúde divulgou pela última vez os dados completos, 3.403 pessoas haviam contraído o vírus e 3.179, ou 93% delas, havia se recuperado e 78 valparaisenses perderam a vida pela doença.

Para que se tenha uma ideia, os números do município goiano, distante 36 quilômetros de Brasília, indicam que os doentes diagnosticadas com a Covid-19 três dias antes da divulgação já estariam livres do vírus e isso provavelmente atende um protocolo, pois segue uma média geral.

Essa proporção de curados X mortos, que tenta minimizar a ineficiência dos governos, não é a humanamente mais correta, pois o normal seria pensar que nem 1 trilhão de recuperados vale uma única morte.

Fora isso, matematicamente a argumentação curados X mortos não se sustenta, pois ela também pode comprovar a negligência e a incompetência em frear a doença.

No Brasil os registros mostram que uma pessoa morre a cada 22 contaminadas pelo novo coronavírus, enquanto em países como a Coreia do Sul essa proporção é de 1 para 45. Lá, onde se testou em massa e as medidas foram duras e cumpridas desde o início, 305 pessoas morreram e 13,7 mil se recuperaram.

Resumindo todo esse textão, a contaminação precisa ser contida para que a baixa letalidade do Covid-19 não se transforme, mesmo que relativamente menor que os infectados, em um grande número absoluto de mortes.

Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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