• Carlos Guglielmeli

A Bolsonaro e aos bolsonaristas caberá uma "desonra histórica"

Essa foi a dissertação inicial do Jornal Nacional neste sábado (20), quando o consórcio de imprensa registrou 50 mil mortos e 1 milhão de infectados pelo novo coronavírus.


Foram três minutos em horário nobríssimo, apresentando um enredo emotivo, incomum para o Telejornal de maior audiência do país, que me causou inveja pela capacidade de sintetização do momento.


Criticado por sua absoluta falta de empatia, sem nenhuma dúvida e de maneira muito acertiva o alvo do editorial foi o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores.


"Uma nação se define como a reunião de pessoas que compartilham sentimentos. Afetos, laços, cultura, valores, uma história em comum. Empatia é a capacidade que o ser humano tem de se colocar no lugar do outro, entender o que o outro sente. Uma nação chora seus mortos, se solidariza com aqueles que perderam pessoas querida. Cinquenta mil [mortos]. Diante de uma tragédia como essa, uma nação para, ao menos um instante, em respeito a tantas vidas perdidas. É o que o JN está fazendo agora diante desses rostos que nós temos perdido desde março", iniciou Renata Vasconcellos.


"E é um sinal muito triste dos tempos que nós vivemos que a gente tenha que explicar essa atitude [de dar importância para o sofrimento causado pela pandemia]", acompanhou William Bonner que completou:


"Não para a imensa maioria do povo brasileiro, de jeito nenhum, mas para uma minoria muito pequena, mas muito barulhenta, para quem o que nós fazemos, o jornalismo profissional, deveria, senão fechar completamente os olhos para essa tragédia, pelo menos não falar dela com essa dor. O JN já pediu, você lembra, que a gente parasse para respirar porque tudo vai passar."


Na sequência, o editor-chefe do telejornal voltou a dar humanidade as estatísticas que para esses alguns não passam de pequenos números. "O JN já lembrou que as vidas perdidas não podem ser vistas só como números. A gente repete mais uma vez: respira, vai passar. A gente repete também: 50 mil não são um número, são pessoas que morreram numa pandemia. Elas tinham família. Mães, pais, filhos, irmãos, tios, avós. Famílias. Tinham amigos, conhecidos, vizinhos, colegas de trabalho como nós aqui somos. E nós, como nação, devemos um momento de conforto para todos eles."


"E para nós mesmos, porque nós somos uma nação", completou Renata que estendeu:


"Como o Bonner disse, tudo isso vai passar, e quando passar, é a História com H maiúsculo que vai contar para as gerações futuras o que de fato aconteceu. A História vai registrar o trabalho valoroso de todos aqueles que fizeram de tudo para combater a pandemia. Os profissionais de saúde em primeiro lugar."


"Mas a História vai registrar também aqueles que se omitiram, os que foram negligentes, os que foram desrespeitosos. A História atribui glória e atribui desonra. E História fica para sempre", decretou Willian Bonner de maneira primorosa, e como disse antes, invejável.

Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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