• Carlos Guglielmeli

Marconi Perillo ou Ronaldo Caiado, quem fez o melhor início de primeiro mandato?


No mundo atual, onde a propaganda deixou de ser a alma do negócio para se tornar o próprio negócio, o bla bla bla das mídias desinvormadoras virou uma grande ferramenta para a criação de “realidades matrix”.

Em Goiás vemos algumas verdades apresentadas ao mesmo tempo, sem que elas possam coexistir pelo antagonismo das teorias.

=> Caiado está fazendo ou não está fazendo? => Marconi Perillo fez ou não fez?

=> Caiado não faz porquê o estado está endividado. Sim ou não?

=> Marconi roubou ou não roubou?

Para todas essas perguntas existem respostas de um lado dizendo sim e de outro dizendo que não, mas o mais ou menos não existe, ou seja, para cada questão tem alguém falando a verdade e alguém mentindo. Mas é fácil descobrir quem está de mimimi.

Vamos comparar algumas informações dos inícios das trajetórias de ambos, Perillo e Caiado, como governadores para entender que tipo de gestor cada um é.

Em 1999, Marconi Perillo (PSDB) assumiu seu primeiro mandato à frente do poder executivo estadual, naquele momento Goiás tinha três folhas salariais públicas da gestão anterior a serem pagas, duas atrasadas e uma dentro do prazo constitucional, que é o 10º dia do mês subsequente ao trabalhado.

Perillo também herdou uma dívida que comprometia três anos e meio inteiros do orçamento estadual para que fosse quitada. Eram 360% da capacidade anual de arrecadação.

Os dados foram revelados sim, porém após a constatação da precariedade financeira estadual, o que se viu em Goiás foi a implementação de uma estratégia para combater os problemas com soluções, a principal delas o incremento da arrecadação pelo aumento da produção e industrialização, consequentemente a elevação do PIB (Produto Interno Bruto) goiano.

Em dezembro daquele mesmo ano as três folhas da gestão anterior já estavam em dias e o estado protagonizava nacionalmente a criação de políticas sociais e fiscais. O PIB teve uma leve alta de 2,82%, saindo dos R$ 17,428 bilhões para R$ 17,920 bilhões. Não era muito, mas a solidez das ações que possibilitaram esse resultado animava os setores produtivo e de investimento.

E foi assim que Goiás se recuperou daquele momento , chegando ao final do primeiro mandato de Marconi Perillo em 2002 com um PIB de R$ 31,299 bilhões, alta de 74,66%.

Para matar a curiosidade, ao fim do quarto mandato do peessedebista, o PIB de Goiás chegou a R$ 197,938 bilhões em 2018, anotando um crescimento de 1.004,57% nos últimos 20 anos ou uma média de 17,96% ao mês. Recorde nacional.

Quanto a Ronaldo Caiado (DEM), assumiu o estado em janeiro deste ano, 2019, por isso não é correto exigir feitos tão grandiosos, mas é sim possível comparar o início de governo, o ambiente que criou e o que de fato realizou até aqui.

Caiado tomou posse com uma bomba relógio, segundo análise publicada no Jornal Opção de Goiânia, tendo que pagar uma única folha salarial da gestão anterior, não atrasada, pois estava dentro do prazo constitucional que vencia no dia 10 de janeiro. Além disso, o governador anunciou um endividamento estadual de R$ 3,6 bilhões, que representa a12,75% da receita prevista por sua própria equipe para 2019. Equivalente a 45 dias do ano.

Inexplicavelmente, mesmo com uma situação muito menos grave do que a assumida por Marconi Perillo em 1999 o governo Caiado já iniciou sua gestão concentrado em apontar a culpa para seus antecessores de todos os problemas que ele pudesse vir a ter, tentando resolver os problemas com problemas.

A primeira e a maior solução anunciada pela equipe econômica de Caiado foi a adesão ao RRF (Regime de Recuperação Fiscal do Governo Federal), uma espécie de concordata em que o governo suspenderia o pagamento de suas dívidas com a União, lhe daria o direito de cortar, parcelar salários e até demitir servidores efetivos, além de outras.

Diferente do que aconteceu no final dos anos 90 em Goiás, o governo Caiadista vem criando um ambiente ruim, busca solucionar seus problemas com congelamentos, cortes e suspensão de dívidas (calote), até agora não anunciou uma única medida positiva, e isso não foi bem visto pelo setor produtivo e de investimentos.

Com uma “caça às bruxas” em curso para liquidar seu adversário Marconi Perilllo, Caiado se embrenhou na perseguição aos incentivos fiscais que ajudaram o seu desafeto a alcançar os resultados relacionados anteriormente.

Como consequência, as empresas começaram a ir embora de Goiás ou a desistir de vir para cá. A Unilever, maior pagadora de ICMS do estado resolveu voltar para Minas Gerais, deixando quase 1.000 novos desempregados diretos e algo em torno de 1.700 indiretos.

No mesmo caminho, a sul-corena Korean System Business, que já havia assinado com o próprio Ronaldo Caiado a intenção de instalar em São João d’Aliança, 189Km distante de Valparaíso de Goiás, a maior usina de produção energética fotovoltaica do planeta, desistiu de vir para o estado que tem o maior estacionamento de raios solares do país, para se instalar em Mato Grosso do Sul.

Só nisso Goiás perdeu R$ 6 bilhões de investimentos e algo em torno de 1.000 empregos direto e a mesma quantia de indiretos.

A atual gestão levou sete meses para quitar uma única folha do governo passado que ele próprio atrasou e entrou numa espiral negativa difícil de sair.

Sobre a corrupção, o democrata tem a máquina na mão, com o poder de auditar tudo, mas em 10 meses, de fato e de concreto não conseguiu absolutamente nada relevante que dificulte a vida do seu antecessor. Isso ficando apenas a cargo de suas falas. Até a Operação Decantação foi arquivada por, segundo o juiz, “estar criminalizando a atividade pública corriqueira”.

O fato é que Caiado “está usando tanto carrapaticida que quase mata o boi” e se não começar a governar em detrimento de continuar fazendo campanha eleitoral será liquidado politicamente um a dois anos antes das eleições de 2022.

Vamos acompanhar.


Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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