• Carlos Guglielmeli

Com 9 meses praticamente completos, governo Bolsonaro acumula três grandes acertos e um desastre em


Ninguém pode dizer que o governo Bolsonaro é um desastre total, pois no mínimo três acertos importantes devem ser reconhecidos em sua Gestão.

O principal deles é o desmantelamento dos comandos das maiores facções criminosas existentes no país, com uma estratégia corajosa, simples, que ninguém outro jamais tinha feito.

Ao comando do ministro da justiça e segurança pública, Sérgio Moro, os membros das cúpulas dessas organizações criminosas foram separados e consequentemente tiveram suas comunicações dificultadas ao serem repetidamente transferidos entre os presídios federais de segurança máxima, sendo enquadrados no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Isso fez diminuir o número de homicídio no país inteiro e resultou em apreensões recordes de drogas e armas, causando prejuízos incalculáveis para essa quadrilhas que se fragilizaram.

Outra bola dentro vem da equipe econômica montada pelo ministro Paulo Guedes, que no Banco Central reduziram a Taxa Básica de Juros (Selic) ao menor índice de sua história, hoje 5,5%. Um número considerado digno de país verdadeiramente capitalista liberal.

Mais um acerto fantástico de Jair Bolsonaro tem o dedo voltado para o social da primeira dama, Michelle Bolsonaro. O presidente assinou uma MP concedendo pensão vitalícia às crianças portadoras da microcefalia causada pelo Zica Vírus, nascidas entre 2015 e 2018.

A família de cerca de 3 mil crianças passarão a ter a segurança de uma renda mínima, estando livres para buscar mais, pois antes recebiam o Benefício de Prestação Continuada (BPC), passível de ser cortado a qualquer instante, inclusive se os pais tivessem emprego formal.

Pariu por ai. O resto é desastre ou, graças a terceiros, encaminhamentos.

A reforma da previdência foi encaminhada pelo congresso e jamais estaria no adiantado que está se não fosse o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM). Do governo veio só o papel, o atrapalho da falta de articulação e as sucessivas crises provocadas pelas verborragias do presidente Bolsonaro e de seus filhos. Crises essas que estão dilapidando todo o “bom ambiente” que o mercado espera com essa aprovação.

Por falar em filhos, o nítido, ou melhor, o gritante afastamento do governo Bolsonaro da pauta de combate à corrupção para salvar os filhos é um de seus maiores descensos.

Hoje Bolsonaro se desgasta descaradamente interferindo em órgãos de fiscalização, como o antigo Coaf e a Receita Federal, além da Polícia Federal e do Ministério Público.

Isso tudo fora o pacto do presidente feito com Dias Toffoli, que inviabilizou cerca de 90% das operações de combate à corrupção em andamento, numa canetada usada para livrar Flávio Bolsonaro do MPF do Rio de Janeiro, em troca do sepultamento da Lava Toga.

O outro grande prejuízo causado pelo governo Bolsonaro, dessa vez não somente ao Brasil, como também à todos os países integrantes do Mercosul, é a anunciada suspensão do acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia, solicitado pela Áustria por consequência das políticas ambientais atuais do Brasil e a falta de diplomacia do presidente ao tratar do assunto.

Um acordo como esse, com o potencial de impulsionar a economia e gerar milhares de empregos, está por hora desperdiçado pela incapacidade diplomática de um presidente sem filtro, que não compreendeu o alcance dos atos de um chefe do executivo nacional.

E tem que ache essas “diarreias verbais” cheirosas ou lindas.

A economia não andou. Entrando no 10º mês as ações ainda são só conjecturas, que ainda pretendem enviar sinais para o mercado investidor para que ele reaja à possibilidade de um ambiente econômico positivo, nada de palpável e tudo desperdiçável com as instabilidades provocadas por declarações inadequadas.

No combate à corrupção, um retrocesso inimaginável com a o aparelhamento político dos órgãos e entidades.

Esses são os dois principais motes que elegeram Bolsonaro, exatamente onde ele vai de mal a pior, pois o sobe e desce do Dólar e das Bolsas de valores que empatam um pelo outro, e a tímida geração de emprego ainda não surtiram afeito na vida da esmagadora maioria dos Brasileiros.

Ok que Bolsonaro tem apenas 10 meses de governo após 16 anos de um regime que dilapidou e economia brasileira, mas sinais concretos já deveriam ter aparecido.

Uma estradinha aqui, outra ali, uma comporta aberta aqui, outra ali, são coisas pontuais, que podem causar efeitos positivos na vida de muitas pessoas, mas não no contexto geral, por isso não podem contar como elementos de salvação nacional. Está registrado como feito, mas não satisfaz.

Está ruim e não há muito o que esperar de melhor. Visão de quem não é cego.


Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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