• Carlos Guglielmeli / Imagem: Reprodução

STF, a desgraça do judiciário


A recente manobra dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) mostra o tamanho da desgraça em que se tornou a Suprema Corte Brasileira para o poder judiciário.

Entre outras muitas coisas Marcelo Odebrecht disse em depoimento, “a Petrobras era a nossa única conta que dava retorno (...) Nós estávamos com problemas em todos os nossos contratos com o governo, só a Petrobras que justificava”.

O que isso quer dizer claramente? Isso quer dizer que toda e qualquer propina paga pela Odebrecht tinha uma única fonte pagadora ou motivação, os contratos da Petrobras.

Uma interpretação simples e muito provável para qualquer aluno de 6º, 7º ou 8º ano do ensino fundamental. Mas não para os ministros do STF Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, ambos ligados historicamente ao PT de Lula e Gilmar Mendes que é ligado a Aécio Neves e conselheiro do presidente Michel Temer.

Dessa vez ambos “entenderam” que não, que as delações da Odebrecht não tem ligação clara com a Petrobras, por isso não merecem estar no âmbito da Operação Lava Jato e consequentemente retiraram-nas das mãos do juiz Sérgio Moro da 13ª Vara Criminal Federal do Paraná.

Para entender a desgraça em que se tornou o STF, é importante iniciar um novo raciocínio lembrando que em duas outras oportunidades recentes, ambas a menos de uma ano, os dois ministros do PT e o do Aécio / Temer, ou melhor, do STF, entendiam diferente, eles concordavam que as delações da Odebrecht estavam sim ligadas ao “Petrolão”.

Mas o que Mudou?

Nada, sob o ponto de vista técnico, o que mudou foram as motivações, de fato foi a situação penal do ex-presidente Lula e a proximidade da troca na presidência do STF, consequentemente na composição da 2ª turma também.

Em setembro a ministra Carmem Lúcia deixa a presidência do STF e assume o lugar de Dias Toffoli, que vira presidente, no “Jardim do Éden”, como é chamada a 2ª turma. Por isso os “advogados do diabo” precisam correr para manobrar tudo o que puderem antes disso.

A grande jogada é, para os petistas, criar um elemento como o “desvio de competência” para tentar anular o julgamento de Lula, e para o amigo de Aécio e conselheiro de Temer, abrandar e atrasar as consequências dos possíveis julgamentos que pesem contra eles.

Esse episódio, despido de qualquer discrição, mancha de vez a imagem da Suprema Corte Brasileira, que a muito tempo vem se mostrando “um banho de água fria” em qualquer iniciativa de tornar a justiça mais justa, acabando com a impunidade.

Como diria Boris Casoy, “Isso é uma vergonha”.


Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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