• Carlos Guglilelmeli

A solução é uma justiça que faça as leis serem cumpridas, não outra reforma política


A corrupção, em sua maior parte, não é praticada no âmbito do que é previsto em lei, normalmente ela está fora do que é legal.

Se a reforma política determinar que as campanhas serão financiadas apenas com recursos públicos, esse vai ser apenas mais um rombo no bolso da sociedade que vai se somar aos outros, pois os esquemas de corrupção vão continuar exatamente como estiveram, estão e estarão enquanto a verdadeira raiz do problema não for atacada.

Na conta paga pela sociedade, os superfaturamentos que se transformam em propina vão continuar vindo na fatura, somados ao financiamento público de campanha. A reforma não vai fazer um ser substituído pelo outro porque a justiça brasileira não é capaz de coibir nem ilicitudes que acontecem debaixo dos seus narizes.

Não adianta fazer uma reforma política, ainda mais orquestrada pela nata dos políticos mais envolvidos com esquemas de corrupção investigados pela Lava-Jato, se os órgão competentes não conseguem se fazer respeitados e obrigar o cumprimento das regras.

Dois exemplos podem ser usados para ilustrar que o problema não está nas regras eleitorais e sim na incapacidade da justiça de fazê-las serem cumpridas.

O primeiro e mais vergonhoso é que todas as contas das campanhas foram aprovadas, em sua maioria sem ressalvas. Aberrações como volumes de campanhas 100 vezes maiores que os valores prestados conta conseguem passar desapercebidos nos tribunais eleitorais que no final funcionam como a “maior lavanderia de dinheiro sujo do planeta”, segundo o que se conclui.

Outro exemplo é a morosidade descabida em processos que só podem resultar em efeito prático num espaço de tempo máximo de 4 anos. A cassação da “chapa Dilma Temer” é um deles, o mandato dela vai terminar e talvez, passados uns 2 ou 3 anos depois disso, os juízes vão conseguir chegar a algum veredito.

A delinquência compulsiva dos políticos está enraizada, eles mesmos não se corrigirão a si próprios, o que o Brasil precisa é de um poder capaz de desempenhar o papel limitador, educador e punitivo.

Sem justiça eficiente, podem inventar um milhão de leis, que todas continuaram a ser descumpridas.


Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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