• Carlos Guglielmeli

Todos os brasileiros estão sob a responsabilidade do poder público, não somente os presidiários


As mortes de mais ou menos 100 criminosos presidiários vêm tomando conta da mídia nacional e consequentemente das agendas políticas.

Toda vida deve ser preservada, inclusive, mas não somente, a de criminosos condenados.

O sistema carcerário brasileiro está falido, mas não é o único, o sistema de saúde, de educação e de segurança também estão sucateados e tem um poder devastador ou de supressão de vidas ainda maior que o penitenciário, com a diferença apenas no impacto das imagens.

Na saúde as fotos de mortos podem retratar “centenas de velhinhos” com corpos vencidos pela enfermidade, nos presídios as fotos revelam corpos robustos mutilados de “dezenas de detentos” que escolheram o caminho do crime para trilhar.

A constituição nacional estabelece que todos temos direito à saúde, educação, segurança, entre outras coisas, então porque priorizar a indenização famílias de detentos mortos em cadeias públicas, em detrimento a famílias vitimas dos crimes deles ou as que perderam seus arrimos na fila por uma cirurgia e até mesmo um simples leito nos hospitais públicos?

Se o sistema penitenciário está sucateado, falido, imagine como está a educação de ensino médio onde o investimento público é 13 vezes menor por aluno do que se gasta por cada presidiário?

Não é que as famílias dos presidiários devam ser abandonadas, mas as famílias das pessoas de bem, vítimas deles e ou da falta de investimento ainda maior do estado em serviços básicos também merecem o mesmo nível de atenção.

No Brasil nunca tivemos as prioridades 100% adequadas, mas as inversões de valores se aprofundaram muito nestes últimos 14 anos.

Temos que diminuir a população carcerária dando condições para a sociedade viver em um ambiente cujo o mundo do crime não seja tão atrativo, ao contrario de cogitar construir SPAs para criminosos de onde eles possam gerenciar seus crimes confortavelmente.

A resposta para a pergunta de em qual seguimento deve-se investir para diminuir a criminalidade e consequentemente a população carcerária, se na educação e saúde ou no sistema penitenciário é infinitamente mais óbvia do que tentar saber quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha.


Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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