• Carlos Guglielmeli

Quem você salvaria primeiro, o policial ou o bandido?


A pergunta feita pela apresentadora de TV Fátima Bernardes no ar a 08 pessoas, onde 07 escolheram salvar o bandido e apenas um escolheu salvar o policial reavivou duas questões sociais polêmicas atuais.

A primeira é a inversão de valores morais que além de tudo deterioram e prejudicam a sobrevivência de um estado democrático de direito, onde a aplicação de lei é cada dia mais prejudicada por mecanismos criados para defender a sociedade dos supostos erros de sua aplicação.

Resumindo, os mecanismos da lei são propagandeados como coisas do mau e para combater o mau a política e ou da justiça criam-se novas e novas regras que dificultam ainda mais a aplicação da lei.

A cada dia que passa são criados mais mecanismos de defesa dos bandidos e punitivas contra os agentes da lei. O que aprofunda ainda mais essa visão distorcida do certo e do errado, invertendo seus valores.

A segunda é a desmilitarização da polícia apenas porque se crê-se que o regime militar é truculento e arbitrário.

A desmilitarização vai muito além do amolecimento das ações e ou das hierarquias. A unificação das polícias passa pelo absoluto divórcio com toda a estrutura existente hoje e a criação de uma nova organização que precisaria de uma mudança considerável, inclusive judiciária.

Não existe no mundo um modelo de segurança pública semelhante ao brasileiro onde a polícia desempenha funções cartoriais e judiciárias como por exemplo a apresentação de denúncia feita por um delegado, que em outros países é atribuição do equivalente ao Ministério Público.

A corporação unificada exige muito além do desafogo e definição das funções com limites entre o que é policial e judiciário. A formação dos agentes de segurança pública de maneira acadêmica e vocacional é primordial para esse processo e o Brasil não tem estrutura para isso com apenas um curso de bacharelado em segurança pública reconhecido pelo MEC na Universidade Federal Fluminense em Niterói.

Clamar por essas mudanças tão importantes no mesmo tempo em que os personagens políticos de momento, que podem fazê-lo, são teoricamente os menos confiáveis possíveis é assumir um risco eminente de erro.

A serenidade no debate desses assuntos é de suma importância para que o que está ruim não corra o risco de piorar ainda mais.


Carlos Guglielmeli

O nosso objetivo é comentar as notícias com uma pitada de avaliação pessoal. Aqui a primeira pessoa, tanto singular como do plural, não são proibidas nos textos.

Boa leitura!

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